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Entrevista
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A Dr. Maria João Cunha tem
desenvolvido a sua actividade profissional em várias companhias
farmacêuticas multinacionais, na área da Investigação Clínica. É
licenciada em Ciências Farmacêuticas, encontrando-se de momento
a terminar a licenciatura em Medicina.
100R–Porque
é que enveredou por uma profissão na área da saúde?
Drª.MªJ.-Tem
a ver com um gosto pessoal pelo estudo de áreas científicas que
se relacionam com a Saúde e por uma aptidão que julgo ser inata,
para exercer uma profissão nesta área.
100R–
Quais as grandes dificuldades que tem de enfrentar no seu
dia-a-dia?
Dr.ª.MªJ.-Pelo
facto de ser trabalhadora-estudante, a principal dificuldade
prende-se com a falta de tempo a vários níveis: para poder
estudar para os exames do meu curso (de medicina), para cumprir
com os meus objectivos profissionais e sob o ponto de vista
familiar, ser uma mãe e esposa presentes. Torna-se necessário
conciliar todos estes aspectos o que implica obviamente, uma
grande compreensão e ajuda por parte daqueles que me estão mais
próximos.
100R–
Na sua opinião, qual é o estado da saúde em Portugal?
Drª.MªJ.-Globalmente,
e apesar das melhorias que se têm implementado nos últimos anos,
nomeadamente no acesso das populações aos cuidados de saúde,
considero que o seu estado ainda é precária. Não pela qualidade
dos profissionais que trabalham na área da saúde, mas
fundamentalmente pela falta de recursos humanos e materiais, que
se acentuam fora das zonas urbanas.
100R–
Um jovem que se encontra no 9ºano, quer enveredar por uma
carreira similar à sua (ver nota biográfica). Quais devem ser os
aspectos que esse jovem deve ter em conta na sua escolha?
Drª.MªJ.-Primeiro,
deve ter vocação e gosto pelas áreas científicas; depois, tem de
estar preparado e motivado para estudar muito, durante muitos
anos, de modo a conseguir o acesso à Universidade e a realização
dos inúmeros exames curriculares, que finalmente lhe permitem
desempenhar a sua actividade profissional.
100R–
Sabe-se que você nutre um gosto especial pela investigação
científica. O que é preciso ser feito para que estas, em
Portugal, dê mais frutos no futuro?
Dr.ª.MªJ.-O
fundamental, é acreditar na qualidade da investigação realizada
em Portugal, e isso implica investimento; deve proceder-se, na
minha opinião, a uma melhor organização e distribuição dos
recursos, o que implica planeamento, com dois grandes
objectivos: primeiro, existirem locais e condições de trabalho,
para que os jovens investigadores, possam desenvolver as suas
pesquisas no nosso país; em segundo lugar e após terminarem o
seu doutoramento em Portugal ou no estrangeiro, tenham a
oportunidade de ver o seu trabalho reconhecido, nas nossas
universidades e/ou empresas, e possam aplicar ao serviço do
nosso país, o conhecimento e a experiência já adquirida.
100R– Por fim, podia ter a
amabilidade de fazer um balanço da sua carreira, apontando os
melhores e os piores aspectos da sua vida profissional?
Dr.ª.MªJ.-Na
Investigação Clínica, actividade que desenvolvi durante cerca de
10 anos, tornei-me uma pessoa bastante realizada a nível
profissional, numa área em permanente desenvolvimento (a
investigação de novos medicamentos). Porém, se pudesse
recomeçar, provavelmente teria iniciado mais cedo o curso de
Medicina, porque de facto, me tem dado um gozo pessoal e uma
aprendizagem nesta área do conhecimento que se têm revelado
muito gratificantes. Em resumo, a verdade é que não saberia ou
poderia trabalhar noutra área que não a da Saúde…
Para concluir, resta-me agradecer a amabilidade da Dr. Maria
João Cunha, em aceitar ser entrevistada, e a solicitude com que
respondeu às questões apresentadas.
Alberto
Cunha, 9ºA |
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