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Mulheres de todas as classes
sociais, de todas as raças, de todas as nacionalidades ambas com
um aspecto em comum...quererem ser mães. Levarem o mistério da
maternidade em frente, mesmo com a rejeição social, familiar, e
sem qualquer apoio.
Há instituições que se encarregam de tentar dar esse conforto e
carinho que não receberam por parte da família. Instituições de
pessoas cuja função é estar presente quando mais ninguém está.
Fui entrevistar Mª do Rosário Marques, membro de uma dessas
instituições e ver o que leva uma pessoa a ter esse tipo de
ocupação: a de ajudar pessoas.
100R- Como conheceu o grupo VIDA
SIM?
Mª do Rosário:
O grupo formou-se depois da altura do referendo, como solução e
apoio às mães que não optassem por abortar e optassem por
continuar com a sua gravidez. Eu conheci o grupo quando este se
formou, fui uma das fundadoras.
100R- O que a levou a entrar no
grupo?
Mª do Rosário:
O amor que tenho pela vida humana, o carinho que tenho pelas
crianças e pelas mães em sofrimento e a necessidade de ajudar
quem mais precisa.
100R- Como foi a primeira reacção?
Mª do Rosário: A primeira reacção...foi de empenho, entusiasmo.
Ver toda aquela união por uma causa e ver a vontade de ajudar e
de trabalhar todos pelo mesmo objectivo deixou-me muito feliz.
100R- Qual era o seu papel no
grupo?
Mª do Rosário:
Coordenadora. Coordenava o trabalho dos outros e atendia as
chamadas que as mães faziam para a nossa linha de apoio.
100R- Qual a experiência que mais a
impressionou?
Mª do Rosário:
O ponto de desespero em que muitas pessoas se encontravam, como
era possível haver tanta crueldade na sociedade. Conviver em
primeira mão com mulheres grávidas que eram espancadas,
abandonadas e deixadas sem nada pela parte dos maridos ou
companheiros, chocou-me muito.
100R- Qual o caso mais difícil de
resolver?
Mª do Rosário:
Eram todos os casos em que lidávamos com estrangeiros, mães
estrangeiras. Tínhamos de acompanhar e ajudar no processo de
legalização, arranjar-lhes um emprego e encontrarmos sitio para
elas ficarem, pois há muita falta de estruturas e casas de
acolhimento.
100R- O caso em que se sentiu mais
realizada?
Mª do Rosário:
Foi o de uma senhora que ligou para uma das associações a pedir
ajuda e, como se encontrava na zona de Sintra, reencaminharam-na
para o nosso grupo (VIDA SIM). Era uma mulher que estava grávida
de alguns meses, tinha um bebé de um ano e meio numa mão e com
um pequeno saco, mesmo um saquinho pequeno, com algumas roupas e
algumas coisinhas que era apenas o que os dois tinham. Não tinha
família que a pudesse apoiar e vinha cheia de nódoas negras do
espancamento marido que se drogava e lhe batia a ela e ao filho.
Naquele dia procurámos uma pensão para ela ficar e, como era
fim-de-semana, na Segunda-feira seguinte recorremos às
Instituições do estado (Misericórdia e Segurança social) e
enquanto procurámos uma casa para ela ficar, a segurança social
pagou a pensão dela. Passado uma semana, conseguimos uma casa de
apoio à gravida onde ficou e conseguimos arranjar trabalho para
ela, mesmo com a condição de grávida, o que é difícil. A sua
filha nasceu e ela entretanto conseguiu fazer um curso de apoio
à 3ª idade mesmo com as perseguições do marido à casa onde
estava e outras para onde tinha fugido anteriormente (tinha
fugido até para os Açores). Mais tarde, soube-se que uma bisavó
da menina que tinha nascido da parte do pai soubera do
nascimento da bisneta e andou por todas as misericórdias do país
à procura da família. Esta encontrou-a, e ficou com a mãe, filha
e filho em sua casa, acolheu-os, tratou-os e deu-lhes um tecto
onde estão assim ainda hoje. Hoje, ela está feliz, numa casa
pequena, com os filhos e com a protecção da família da parte do
pai da criança.
100R- E de que forma esse caso a
ajudou a viver melhor o dia de amanhã?
Mª do Rosário:
Senti-me muito realizada, deu-me uma grande auto estima e
encorajou-me a ajudar mais pessoas, vi que quando se quer é
possível.
100R- Pode-nos contar um caso que
esteja agora a decorrer?
Mª do Rosário:
Sim. Há agora uma senhora que pediu ajuda que é brasileira, que
veio do Brasil e pensou que conseguiria realizar o seu sonho de
ganhar dinheiro, ter uma boa casa e uma família. Aqui conheceu
um alemão, engravidou, mas quando ela quis assumir a gravidez o
homem desapareceu. Foram os amigos dela que nos contactaram,
pois ela não tinha coragem para admitir o erro. A filha já
nasceu e nasceu com problemas de coração. Neste momento já lhe
conseguimos arranjar emprego e já conseguimos legalizá-la por um
ano.
100R-
Que conselho daria a todas as mães que
estão em situações semelhantes?
Mª do Rosário:
Um conselho? Muita coragem! O facto de não ter um companheiro
para apoiar desmoraliza muito mas que nunca desistam de ser mães
e nunca desistam da vida! Não desistam da beleza que têm dentro.

Consulta de imagens:
http://www.astrosurf.org/lombry/Bio/bebe-rigole.jpg
http://www.corazones.org/z_imagenes/personas/bebe.jpg
http://www.lactared.com.pe/fotos/mama%20y%20bebe.jpg
Rita Almeida 9ºB |